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A estreia da 3ª temporada de Westworld inaugura um 2058 moderno e pautado no controle das escolhas pessoais (HBO/Divulgação) |
Óculos inteligentes, hologramas, aeronaves modernas, inteligência artificial. Esses são alguns dos elementos futurísticos apresentados no episódio de estreia da 3ª temporada de Westworld, exibido pela HBO no domingo, 23 de maio. A espera de quase dois anos expandiu o universo do seriado televisivo, que anteriormente ficava restrito a trajetória dos anfitriões, robôs criados para satisfazer os visitantes em um parque que simula o velho oeste. Mas a reflexão vai muito além das inovações tecnológicas: para os criadores da série, Lisa Joy e Jonathan Nolan, o ano de 2058 é marcado pelo controle das escolhas e coleta de dados, um panorama bem semelhante aos dias de hoje. E para as outras obras de ficção cientifica que marcaram o público, o futuro previsto, pessimista ou não, se concretizou?
Para Tarsila Amaral, de 38 anos, a animação infantil Os Jetsons (1962-1987) prova que sim. Segundo a professora de turismo, o desenho errou ao incluir elementos como carros voadores ou robôs a disposição para todas as tarefas, mas previu muito da configuração familiar atual, com destaque ao home office, modalidade de trabalho cada vez mais comum.
Para Tarsila Amaral, de 38 anos, a animação infantil Os Jetsons (1962-1987) prova que sim. Segundo a professora de turismo, o desenho errou ao incluir elementos como carros voadores ou robôs a disposição para todas as tarefas, mas previu muito da configuração familiar atual, com destaque ao home office, modalidade de trabalho cada vez mais comum.
O estudante Julio Gabriel Taborda Vidal (17) – admirador da saga de filmes Star Wars – tem uma percepção um pouco diferente. Para ele, o futuro exibido nas telas é pessimista, marcado pela desigualdade: “mesmo com as tecnologias avançando cada vez mais, só uma pequena parcela da população tem acesso a isso”.
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Jornada nas Estrelas, tradução para o português de Star Trek, é outra franquia futurística citada pelos entrevistados (ViacomCBS/Divulgação) |
Outro programa televisivo de sucesso nos anos 60, Jornada nas Estrelas, marcou espectadores como Marcos Durães Junior, de 53 anos. O jornalista acompanhou, durante a infância, as viagens intergalácticas por teletransporte, frequentes na primeira versão (1966-1969): “as partículas se transportarem para outro planeta em questão de segundos me chamou muito à atenção”. Já cozinheiro Pedro Mattana (21), que assistiu uma versão mais recente – Star Trek: A Nova Geração (1987-1994) – percebe muitas semelhanças entre as relações diplomáticas exibidas e a atualidade: “o seriado me trouxe a reflexão de como a diplomacia é importante para um convívio de paz entre diferentes povos e civilizações”.
Questionado sobre o que se concretizou desse futuro, Marcos ainda afirma que a informação ao alcance de todos e o encurtamento de distâncias já são uma realidade inquestionável. O conceito de globalização, fenômeno iniciado pós-guerra fria, comprova em parte isso. Porém, como destaca o professor Marcus de Souza, mestre em Geografia pela Universidade Federal do Paraná, esse movimento possibilita um grande fluxo de mercadorias, mas não necessariamente de pessoas: "ao mesmo tempo que essa é a globalização da tecnologia e da informação, ela também é a da exclusão e da pobreza".
A ficção imita a realidade
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A empresa Incite faz escolhas pelos seus clientes através da tecnologia do Rehoboam, supercomputador que realiza vários pensamentos por minuto (HBO/Divulgação) |
A crítica à automatização também é um forte elemento presente em Westworld. Por trás de uma Los Angeles moderna e tecnológica, o controle exercido pelas empresas Delos, detentora do parque, e Incite, apresentada nesses novos episódios, retratam um 2058 marcado pelo controle e vigilância. Isso porque, na útlima temporada, a memória do criador dos anfitriões, Ford – interpretado por Anthony Hopkins – relevou o interesse majoritário da companhia: colher e armazenar os dados dos visitantes. Essa postura da Delos se assemelha ao escândalo de 2018 da Cambridge Analytica, empresa responsável por colher informações dos usuários da rede social Facebook a fim de promover campanhas eleitorais direcionadas.
A novidade está justamente fora do parque, já que a Incite promete tomar escolhas no lugar de seus clientes, forjando o futuro, baseando-se na probabilidade de sucesso ou fracasso. Esse mecanismo é possível com a ação do Rehoboam, um supercomputador que exerce o controle tecnológico sem nenhum auxílio externo. A mitologia por trás dessa nova inteligência artificial é bíblica: a tradução de Rehoboam é Reboão, filho de Salomão e Rei de Israel, responsável por provocar uma rebelião que fragmentou o reino em dois. O surpreendente é que após a morte de seu criador, o grande robô, responsável por ditar as escolhas de grande parcela da população, tem seu acesso restrito, sendo possível apenas acessar suas camadas mais externas. Assim, a máquina funciona quase como uma “vida própria”.
O futuro distópico do seriado, com a possibilidade de se concretizar ou não, dá continuidade às previsões da ficção científica, hoje pautadas não mais em imaginar o mundo daqui há algumas décadas e seu funcionamento concreto, mas em estabelecer um diálogo com as problemáticas dos tempos atuais.
O futuro distópico do seriado, com a possibilidade de se concretizar ou não, dá continuidade às previsões da ficção científica, hoje pautadas não mais em imaginar o mundo daqui há algumas décadas e seu funcionamento concreto, mas em estabelecer um diálogo com as problemáticas dos tempos atuais.



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